O médico sanitarista brasileiro Oswaldo Gonçalves Cruz nasceu em São Luiz do Paraitinga, em 1872, e faleceu em Petrópolis, em 1917.

 

Além de doutorar-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, Oswaldo Cruz fez estágio no Instituto Pasteur, na França. Dirigiu o Instituto Soroterápico – mais tarde Instituto de Manguinhos e Instituto Oswaldo Cruz – e foi diretor-geral da Saúde Pública do governo do presidente Rodrigues Alves.

 

Viajou para Berlim, na Alemanha, em 1907, para representar o Brasil no 14º Congresso Internacional de Higiene e Demografia, a fim de apresentar os trabalhos desenvolvidos pelo Instituto de Manguinhos. Não só recebeu elogios pelo trabalho, como trouxe o prêmio para o Brasil (concedido pela primeira vez a uma instituição estrangeira).

 

Viajou para o norte do país com o objetivo de mapear doenças na área onde seria construída a futura estrada de ferro Madeira-Mamoré. A construção só pôde ser iniciada com o seu aval.

 

Eleito para a Academia Brasileira de Letras, ocupou a cadeira número 5.

 

Casou-se aos 20 anos de idade com Emília da Fonseca, com quem teve seis filhos. Costumava chamar sua esposa de “minha querida miloquinha” e sua família de “tribo”.

 

Oswaldo Cruz faleceu bastante jovem, com apenas 44 anos, vítima de insuficiência renal.

 

A zona portuária e as áreas mais pobres do Rio de Janeiro sofriam um surto de varíola e febre amarela no início do século XX, durante a chamada República Velha. Foi justamente com o objetivo de combater essas doenças que o presidente Rodrigues Alves contratou Oswaldo Cruz para assumir a Saúde Pública.

 

Uma das zonas mais insalubres da cidade era a zona portuária, onde existiam terrenos alagadiços, cortiços e favelas. Surtos de febre amarela eram comuns nos meses mais quentes do ano. Aliás, acredita-se que a doença tenha lá chegado através de um cargueiro norte-americano.

 

Além das doenças acima citadas, a antiga capital federal enfrentava surtos de peste bubônica e cólera. Só no ano de 1902, morreram 215 pessoas de peste bubônica, 580 de varíola e 984 de febre amarela. Durante os meses quentes do verão, as classes mais altas buscavam refúgio em locais como a serra fluminense para fugir das epidemias.

 

O Rio de Janeiro passou por um intenso processo de reurbanização no início do século passado. Comandado pelo então prefeito Pereira Passos, o projeto urbanístico era centrado na orla marítima e no centro, justamente as regiões mais populosas. Os mais afetados foram os pobres, que tiveram suas casas demolidas.

 

Foi nesse cenário que o governo Rodrigues Alves lançou as campanhas de saneamento e vacinação. Favelas tinham que ser demolidas, quarteirões destruídos, áreas inteiras higienizadas e toda a população vacinada. Oswaldo Cruz começou a campanha de erradicação de doenças combatendo a peste. Depois, seria a vez da varíola.

 

A varíola só podia ser combatida por meio de uma campanha severa de vacinação. Toda a população do Rio de Janeiro deveria tomar a vacina, ainda que tivesse que ser forçada a isso. Desconfiado, o povo reagiu contra a sua obrigatoriedade. Jornais e revistas da época passaram a criticar o governo federal. Oswaldo Cruz e Rodrigues Alves foram apontados como tiranos.

 

A publicação O Malho lançou uma capa com um médico sanitarista sendo enforcado. A Revista da Semana, outra publicação da época, mostrou um imperador romano tentando vacinar um cidadão comum à força. Uma terceira publicação comparou a revolta com a queda da Bastilha. Reportagens e editoriais com críticas à campanha de vacinação pipocaram nos jornais.

 

O Rio de Janeiro transformou-se numa praça de guerra durante a Revolta da Vacina. Combustores da iluminação pública foram apedrejados, bondes incendiados, lojas atacadas e paralelepípedos arrancados do chão… A população formou barricada em alguns pontos. Em outros, ocorreram tiroteios com vários feridos.

 

Seguidores do ex-presidente Floriano Peixoto, os cadetes da Escola Militar aproveitaram a situação para articular um golpe de estado contra Rodrigues Alves. Em virtude disso, o governo foi obrigado a convocar tropas aliadas. No final, todos os rebeldes foram presos e enviados para o Acre.

 

A Revolta da Vacina foi controlada com a presença das tropas federais. Centenas de pessoas foram presas, inclusive desocupados. Finalmente os agentes de saúde pública puderam entrar nas residências e vacinar a população. Os resultados positivos apareceram no ano seguinte, quando foram registrados apenas 39 casos de varíola.

 

O combate à febre amarela foi feito com brigadas “mata-mosquitos”. Elas se espalharam pela cidade despejando petróleo nas áreas alagadas e desinfetando casa por casa. Com isso, os casos de febre amarela também começaram a cair.

 

Com o fim da campanha de higienização e da reforma urbana, o Rio de Janeiro transformara-se numa outra cidade, mais bonita, acolhedora e segura. Com o tempo, Oswaldo Cruz teve o seu trabalho reconhecido. Diversas biografias foram publicadas. Sua imagem foi parar em selos e até moedas nas décadas seguintes (quem não lembra da nota de 50 cruzados?).

 

Fontes: Wikipédia, UOL Educação, Nosso Século, Nosso Tempo.

 

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