Quando se fala em múmia, a primeira imagem que surge na mente é de uma múmia egípcia preservada através de métodos artificiais. É bom deixar claro, no entanto, que existem diversos tipos de múmias, preservadas de modo artificial ou natural, e que, além do Egito, foram encontradas múmias em países como Chile, Peru, México, Itália, China, Estados Unidos e Dinamarca.

 

A palavra múmia vem do persa mumiyya, que significa “cadáver embalsamado”.

 

Afinal, o que é uma múmia? É um corpo cujos órgãos e pele foram preservados através de modo intencional ou natural.

 

As múmias mais antigas de que se tem notícia foram preservadas por processos químicos naturais. Alguns desses processos são ausência de oxigênio, acidez da água, clima seco e temperaturas extremamente baixas.

 

A mais antiga de todas as múmia tem aproximadamente 9 mil anos e foi encontrada nos Estados Unidos.

 

O país recordista em múmias (onde foi encontrado o maior número) é exatamente o que você imaginou: o Egito. Só para se ter uma ideia, no século XIX elas chegaram a substituir o carvão como combustível de locomotivas e fertilizante nas lavouras.

 

No processo de mumificação, os egípcios extraíam os órgãos internos do cadáver através de um corte do lado esquerdo do abdômen para tratá-los separadamente. Eles eram guardados em jarros. O cérebro era extraído através das narinas. Detalhe: apenas pulmões, intestinos, estômago e fígado eram conservados; o resto era jogado no rio Nilo.

 

Depois que os órgãos eram retirados e o corpo desidratado, o cadáver passava por uma lavagem com água do Nilo. Uma vez que não possuía órgãos internos, a futura múmia era “recheada” com plantas secas e serragem.

 

O morto era enfaixado com linho. À medida que o enfaixavam, os embalsamadores colocavam os seguintes amuletos junto do corpo: o ankh (que ajudava o morto a superar obstáculos no além), o Nó de Ísis (que pedia para a deusa Ísis segurança), o escaravelho (que impedia que o coração se separesse do corpo) e o Olho de Wadjet (que garantia proteção e apoio para a cabeça).

 

Análises da bandagens de múmias do Egito demonstraram que os antigos egípcios utilizavam betume e ládano no processo de mumificação. O betume é basicamente petróleo. O ládano é a resina de uma planta típica do Oriente Médio e Grécia, a esteva. Para tratar o corpo, era utilizado um tipo de sal chamado natrão.

 

Análises da múmia do faraó Tutancâmon, morto aos 19 anos, permitiram a reconstrução do rosto do faraó menino. Os cientistas também conseguiram montar a árvore genealógica do faraó comparando o seu DNA com o de outras múmias.

 

Os embalsamadores egípcios eram criteriosos e cuidadosos com seu trabalho e… Para falar a verdade, eles eram mais ou menos cuidadosos. Prova disso são os remendos mal feitos e as ferramentas encontrados dentro de algumas múmias. Acredite se quiser, mas os arqueólogos chegaram a encontrar ratos dentro de múmias.

 

É verdade que apenas os nobres e sacerdotes eram mumificados no Egito? Não, os mortos plebeus – diga-se, “o povão” – também passavam pelo processo de embalsamento. Em 1994, arqueólogos da Inspetoria de Antiguidades do Egito descobriram, no oásis de Kharga, uma necrópole com mais de 450 múmias de cidadãos comuns.

 

A quantidade de múmias de animais encontradas no Egito é tão grande que, no século XIX, um carregamento com 180 mil múmias de gatos foi transportado para a Inglaterra para servir de fertilizante. Além de gatos, mumificava-se cães, babuínos, gazelas, touros, leões, crocodilos…

 

Você sabia que os egípcios costumavam “mumificar” alimentos para os mortos? No caso dos animais carnívoros, eles “levavam para a posteridade” pedaços de carne mumificados.

 

A tradição de mumificar os mortos foi proibida no Egito no século V depois de Cristo pelo imperador cristão Teodósio, mas só desapareceu de vez durante a dominação árabe, no século VII.

 

Você sabia que os chinchorros, um povo que viveu entre os atuais Chile e Peru, já mumificavam seus mortos 2.500 anos antes dos egípcios? Eles removiam a pele, os órgãos internos e até a carne dos mortos antes de mumificá-los. Os corpos eram estofados com junco seco e outros materiais, e a pele recolocada na múmia. No rosto, colocava-se uma máscara.

 

Um cemitério com mais de 2.500 múmias foi descoberto na periferia de Lima, capital do Peru, em 2002.

 

Foram encontrados no deserto de Xinjiang, oeste da China, mais de 100 múmias de um povo com traços ocidentais. Acredite se quiser, mas boa parte dessas múmias eram de pessoas loiras.

 

Ötzi, a segunda múmia mais famosa do mundo (depois do faraó-menino Tutancâmon) foi encontrado nos Alpes entre a Itália e a Áustria em 1991. Também conhecido como Homem de Gelo (o corpo foi conservado pelo gelo alpino), Ötzi foi examinado e reexaminado diversas vezes pelos cientistas. As análises permitiram descobrir qual a causa da morte (ferimento provocado por uma flechada), as últimas refeições (carne de veado, carne de bode e cereais) e sinais corporais (57 tatuagens) da múmia.

 

Durante muito tempo, o Vaticano considerou a preservação de corpos de santos milagrosa. Mas análises minuciosas das múmias permitiram desvendar por que elas ainda estão bem preservadas. No caso de Santa Margarida de Cortona, a múmia foi preservada por processos artificiais. Já no de Santa Zita, foi por processos naturais como baixa umidade do ar. Outros santos cujas múmias estão bem preservadas: Santa Rita de Cássia e São Ubaldo de Gubbio.

 

As catacumbas de Palermo, na Itália, guardam as múmias de 8 mil pessoas, quase todas de frades cappuccinos. Preservadas naturalmente (talvez pela baixa umidade do ar), elas foram expostas ao público como relíquia. A mais conhecida (e mais incrível) é a da menina Rosália Lombardo, morta em 1920. A pedido dos pais, o corpo de Rosália foi preservado por métodos artificiais e mantém-se intacto até hoje.

 

Em 2008, duas múmias de freiras foram encontradas nas paredes do Mosteiro da Luz, em São Paulo. Acredita-se que ainda existem outros 40 corpos nas paredes e no chão do mosteiro.

 

Pouco tempo depois de embalsamado, o corpo do líder bolchevique Vladimir Lênin foi exposto num mausoléu em Moscou. O Mausoléu de Lênin é um dos mais visitados do mundo e a múmia, uma das que mais atrai curiosos – inclusive saudosistas da União Soviética.

 

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