Os povos celtas surgiram por volta de 500 antes de Cristo, mas recentes descobertas arqueológicas dão a crer que sua origem é ainda mais antiga do que se pensava. Povos “protoceltas” habitavam a Europa desde 900 ante de Cristo.

 

Os celtas ocuparam vastas regiões da Europa (do Norte de Portugal à atual Anatólia), embora sem constituir propriamente um império. Eram divididos em tribos que  tinham em comum  os costumes, a língua e a religião.

 

Os historiadores são unânimes sobre a origem dos celtas. Segundo eles, os povos celtas teriam surgido na região de Harz, que corresponde à atuais Baixa Saxônia, Saxônia-Anhalt e Turíngia, na Alemanha.

 

O termo celta refere-se a todos os povos que falavam (ou ainda falam) as línguas celtas, entre os quais os gaélicos, gálatas, bretões e gauleses.

 

Os bretões habitavam a antiga Britânia – atual Grã-Bretanha – e a Bretanha, região do Norte da França.

 

Os gálatas habitavam a região chamada pelos romanos de Galácia, localizada no centro da atual Turquia. Eram descendentes de tribos gaulesas oriundas do oeste europeu. Hoje em dia, são mais lembrados pelas epístolas do apóstolo Paulo aos gálatas.

 

Os galegos são um povo de origem celta e ibérica que habita a região da Galiza (ou Galícia, em português), norte da Espanha. Seus habitantes são chamados de galegos. As principais cidades da Galiza são Santiago de Compostela, La Coruña e Vigo.

 

Por falar em galegos, você sabia que o gentílico galego é usado em algumas regiões do Brasil para se referir a pessoas loiras e de olhos claros?

 

Gauleses eram os antigos habitantes da Gália, região que hoje corresponde a boa parte do território francês. Aliás…

 

Existem duas origens possíveis para o termo gaulês, ambas de raiz céltica. A primeira vem de “galu”, palavra que designa “poder”; a segunda, de “gal”, que evoca uma “população estrangeira”.

 

Como não conheciam a escrita, cabia aos bardos gauleses preservar a memória das tribos. Personagens como o bardo Chatotorix, um dos personagens das histórias de Asterix, eram, portanto, essenciais à tribo.

 

A aldeia de Asterix, Obelix, Panoramix e companhia foi inspirada na cidade real de Avaricum, que resistiu ao jugo do poderoso Império Romano durante 27 dias. Vencida pelos romanos, os habitantes foram massacrados. Dos 40 mil moradores, sobraram apenas 800.

 

O maior herói da resistência gaulesa na vida real foi Vercingetórix. Inspirado pela resistência de Avaricum, Vercingetórix comandou um exército de 80 mil homens contra as tropas romanas, mas foi derrotado por Júlio César. Os sobreviventes foram escravizados e Vercingetórix enviado para Roma onde, mais tarde, foi decapitado.

 

Como a maioria dos povos da época, o celtas era politeístas (adoravam vários deuses). Mas, ao contrário de gregos e romanos, eles não veneravam imagens. Para as tribos celtas, os deuses eram espíritos e, portanto, não podiam possuir feições humanas e muito menos ser representados por imagens.

 

Ninguém pode negar as raízes pagãs do dia de Halloween, uma vez que ele se originou de antigas celebrações celtas. A data coincide com o início do Samhain, uma comemoração que marcava o início do ano novo celta, o fim da colheita e o início do inverno – período comumente associado aos mortos.

 

Os celtas acreditavam que era possível entrar em contato com o mundo dos mortos durante o Samhain. Para eles, o contato liberava todo todo tipo de espírito, de pessoas mortas a bruxas e demônios. Leite e comida eram usados para acalmar esses espíritos além de que, durante as celebrações, os celtas se fantasiavam com pele e cabeças de animais abatidos.

 

“Por Tutatis!”. Você já deve ter visto Asterix ou algum de seus amigos pronunciar o nome desse antigo deus gaulês. Tutatis era, na verdade, Teutatis o deus celta do outro mundo, o “pai do povo”, e era invocado como protetor tribal.

 

Além de sacerdotes, os druidas eram conselheiros políticos e jurídicos dentro das tribos celtas. O druida mais conhecido (até mais do que Panoramix) é o mago Merlin.

 

Asterix, o gaulês mais famoso do mundo, foi criado na França pela dupla René Goscinny e Albert Uderzzo em 1959. As primeiras histórias saíram já em 1959 e o primeiro álbum, em 1961.

 

Até hoje, foram lançados 34 álbuns de Asterix e sua turma em 83 línguas e 29 dialetos.

 

Foram feitas 11 adaptações das aventuras de Asterix para o cinema, sendo três filmes e oito desenhos animados.

 

O nome Asterix vem do francês asterisque, que significa… asterisco! Obelix vem de obelisco, Panoramix, de panorâmico, Ideiafix de ideia fixa e Chatotorix… Esse tem nome diferente! O bardo Chatotorix é chamado no original de Assurancetourix, proveniente da expressão francesa “assurance tours risques” ou “seguro contra todos os riscos”.

 

As aventuras de Asterix citam quase todos os povos que habitavam o antigo Império Romano, mas com referências aos atuais povos europeus. Os lusos, por exemplo, são educados e baixinhos. Além de educados, os bretões falam ao contrário (branco cavalo). Já os hispânicos são esquentados e vivem num lugar apinhado de turistas.

 

Contam que o desenho da personagem Cleópatra foi inspirado na atriz Elizabeth Taylor.

 

A Armórica, região da Gália onde ficava a aldeia de Asterix, realmente existiu e compreende a atual região da Bretanha entre os rios Sena e Loire. A propósito, Armórica vem do gaulês “are mori”, que significa “à beira mar”. Sob o Império Romano, era parte da província da Gália Lugnudense.

 

Após a morte prematura de René Goscinny, Uderzo prosseguiu sozinho com as histórias de Asterix. O curioso é que a autoria sempre foi creditada à dupla.

 

Por falar em Goscinny, você sabia que ele criou argumentos para alguns álbuns do cowboy Luke Lucky?

 

Atualmente, a maioria dos falantes das línguas celtas se concentram no País de Gales, Escócia, Irlanda e Irlanda do Norte. Há falantes também na região francesa da Bretanha.

 

Pode-se afirmar com toda a certeza que, apesar da forte influência latina, germânica e eslava na sua formação, os povos europeus conservam uma forte herança celta. Como isso pode ser provado? De várias maneiras, inclusive pela toponímia. Muitos nomes de regiões e cidades da Europa tem origem céltica. Exemplos: Ratisbona, Boêmia, Viena, Dublin, Braga, Paris…

 

Você sabia que a cidade de Paris foi fundada pela tribo celta dos parísios?

 

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