A imagem do imperador romano Nero é comumente associada ao incêndio de Roma e perseguição aos cristãos. Mas teria mesmo sido ele o mandante do incêndio, por exemplo? Descubra alguns fatos e curiosidades sobre a sua vida nas linhas abaixo. Você vai se surpreender.

 

O nome verdadeiro do imperador romano era Lucio Domicio Ahenobarbo, que mais tarde passou a se chamar Nerone Claudio Cesare Augusto Germanico, ou Nero.

 

Nero nasceu na localidade de Anzio, ao sul de Roma e margens do mar Tirreno, em 15 de dezembro do ano 37.

 

Apesar de muitas vezes ser representado como um sujeito moreno, Nero era louro, de olhos azuis e sardento.

 

Nero começou a governar aos 17 anos. Sua ascensão ao poder foi providenciada por Agripina, sua mãe. Por sinal, ela também tramou para tirá-lo de lá e substituí-lo por seu enteado, Britânico.

 

Era uma apaixonado pelas artes. Chegou a isentar a Grécia – que outrora havia sido anexada pelos romanos – de pagar impostos com a alegação de que dera grandes contribuições culturais ao Império.

 

A lista de barbáries supostamente cometidas pelo imperador romano Nero incluem degolamento da primeira esposa, morte da segunda esposa aos chutes – com o detalhe de que ela estava grávida – e assassinato da própria mãe. Outra acusação pesada é a de que teria incendiado Roma, mas…

 

Nero não incendiou Roma. Segundo alguns estudos recentes, ele estava fora da cidade quando o grande incêndio começou. Assim que soube da tragédia, teria voltado às pressas para lá. Além disso, Nero foi um dos mais afetados pelo fogo. Perdeu propriedades e teve grande prejuízo financeiro. A imagem de um Nero piromaníaco teria sido provavelmente criada por seus detratores.

 

Nero não perseguiu os cristãos. De acordo com uma pesquisa da Universidade de Cambridge, a versão do filme Quo Vadis de que o imperador teria mandado literalmente caçar os cristãos talvez não seja verdadeira. Os cristãos ainda eram uma minoria na Roma da sua época. Eles só teriam sido de fato perseguidos por acusações que variavam do incesto ao ateísmo, durante os reinados dos imperadores Décio e Valeriano.

 

Os relatos da perseguição aos cristãos por Nero são em grande parte atribuídas ao historiador Tácito, que tinha laços com a elite do Senado. Na época da morte do imperador, Tácito tinha apenas 12 anos. Como se sabe, os senadores odiavam o imperador a tal ponto que trataram de deturpar sua imagem para a posteridade.

 

Nero nunca enviou cristãos para serem devorados no Coliseu. Esse é o outro mito sobre o imperador que parece não se sustentar diante dos fatos. A explicação: o Coliseu foi construído depois da sua morte. Tudo indica que recebeu esse nome em razão da estátua de Nero que havia em local próximo, o Colossus Neronis.

 

O Colossus Neronis (Colosso de Nero) era propriamente uma estátua de bronze de 31,4 metros encomendada pelo próprio imperador. Representava Nero como o deus sol e simbolizava o seu poder sobre a terra e a água. Para efeito de comparação, a novaiorquina Estátua da Liberdade possui 33,6 metros.

 

Chamado de Domus Aurea (Casa Dourada), o palácio de Nero foi construído numa área destruída pelo incêndio que devastou Roma (detalhe: a causa pode ter sido natural). Possuía um colosso na entrada, um grande lago, jardins com animais e um retiro imperial com 150 cômodos. Os jardins eram abertos aos cidadãos comuns.

 

Nero era um populista antes da palavra populismo tornar-se popular, vamos assim dizer. Chegava a convidar gente do povo para comer no palácio e frequentava bordéis. Incitava brigas de rua e e vez ou outra participava dos Jogos Olímpicos gregos.

 

Nero foi responsável por obras como palácios, ginásios, mercados e canais. Para construí-los, desapropriou terras e cobrou taxas dos mais ricos, enfurecendo grande parte da elite romana.

 

As últimas palavras de Nero antes de ter a garganta cortada por um súdito foram: “Que artista morre comigo!”.

 

O imperador era tão querido pelo povo que Oto, seu sucessor, adotou o nome Oto Nero com vistas a aumentar a sua popularidade.

 

Assim como algumas pessoas ainda acreditam que Elvis não morreu, muitos romanos acreditavam que Nero permanecia vivo. Chegaram a surgir impostores que se diziam ser o próprio imperador.

 

Problemas mentais pareciam muito comuns entre os imperadores romanos (Calígula, Heliogábalo…). Os historiadores estão há muito intrigados com isso. Mas pesquisas recentes apontaram uma provável causa: o chumbo. Esse elemento teria afetado a saúde não apenas dos imperadores, mas de muitos ricos e poderosos. Eles bebiam água em utensílios e jarras de chumbo, levada até suas vilas por tubulações de chumbo. A quantidade de chumbo presente na água encanada romana continha 100 vezes mais esse elemento do que a água das nascentes.

 

Fontes: Wikipédia, El País, História Viva, National Geographic Brasil, Guia do Estudante.

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