O inferno é para muitas mitologias e religiões uma espécie de morada eterna com grandes sofrimentos. No entender de muitos cristãos, por exemplo, seria em grande parte o lugar para onde iriam as almas condenadas por depravações e, obviamente, não seguir as leis de Deus. Veja nas linhas adiante algumas informações e curiosidades sobre o assunto. Você vai se surpreender.

 

Inferno é uma palavra de origem latina que significa “mundo inferior” ou “as profundezas”.

 

Para os antigos gregos, o inferno seria o Reino de Hades, um lugar para onde iriam os mortos para serem julgados. De acordo com a sentença, o morto poderia ir para o Campo de Asfódelos, os Campos Elíseos ou o Tártaro. O Tártaro seria o local mais terrível e profundo, imerso em grande escuridão, do reino governado pelo deus Hades.

 

Para os muçulmanos, o inferno seria um local com sete portões para onde iriam os muçulmanos injustos e os não-muçulmanos. Seria também um lugar de purificação das almas, onde o condenado poderia aceitar que Alá é único e reverenciá-lo para obter a redenção. Aliás…

 

O inferno é definido mais ou menos assim pelo judaísmo. Seria uma espécie de condição finita, através do qual a alma poderia ser purificada. Em outras palavras, seria um processo de purificação pelo qual devem passar as almas que foram grosseiras durante a vida terrena.

 

Os cristão, por sua vez, não possuem uma visão unânime sobre o inferno. Enquanto algumas crenças pregam a existência de um lugar físico onde os pecadores sofreriam castigos eternos, outras o consideram pura bobagem. As testemunhas de Jeová, por exemplo, veem o inferno como a “sepultura”. Para elas, os mortos seriam incapazes de sentir qualquer tipo de sofrimento.

 

Acredite se quiser, mas não existe quase nenhuma menção ao inferno e suas chamas na Bíblia. A doutrina do tormento eterno teria sido introduzido na cristandade em 1215 no Concílio de Latrão. Detalhe: no antigo hebraico, a palavra para inferno seria “sheol”, que significa “abismo, tumba ou sepultura”.

 

Escrita pelo italiano Dante Alighieri, a obra A Divina Comédia é dividida em três partes: Inferno, Purgatório e Paraíso. Em sua descrição do inferno, Dante coloca o Diabo na camada mais profunda do lugar. Entre os seus habitantes estão centauros, minotauros e até o cão de três cabeças conhecido como Cérbero. O inferno seria ainda a morada de grandes traidores, como Brutus e Judas. Aos que lá chegam, Dante descreve um portão onde está escrito “abandone toda a esperança aquele que por aqui entrar”. Aliás, você sabia que o adjetivo “dantesco” serve para descrever um lugar tenebroso e com sofrimentos horríveis.

 

Na Idade Média, acreditava-se que o inferno possuía infraestrutura e o diabo, diversos assessores, entre eles Nergal (demônio que comandava a polícia do inferno), Astaroth (tesoureiro infernal), Abramalech (responsável pelo guarda-roupa de Lúcifer) e Baalberith (secretário de Lúcifer). Aliás…

 

A imagem do inferno com labaredas eternas que temos atualmente é bastante moderada com a imagem que as pessoas tinham na Idade Média. Elas enxergavam o inferno como um lugar onde os condenados eram obrigados a nadar em excrementos, podiam ser carregados por rios de sangue fervente, eram cortados em pedaços ou tinham que viver eternamente como árvores. Na visão do pintor Hieronymus Bosch, os homens eram ainda obrigados a se casarem com porcos.

 

Os cristãos da Idade Média acreditavam que o inferno ficava em algum lugar embaixo da terra. Algumas pessoas juravam que tinham visto fumaça saindo de buracos no chão. Era justamente essa a imagem que inspirou o poeta Dante, que colocou o diabo na parte mais profunda do inferno.

 

O mais curioso é que a visão que se tinha do inferno durante a Idade Média e Renascimento era em muitos aspectos influenciada pela mitologia greco-romana. Dante via centauros e minotauros por lá. Michelangelo incluiu Caronte, o barqueiro do rio Styx em suas interpretações do inferno. O poeta John Milton viu a medusa no mesmo lugar. E por falar em Milton…

 

Teria sido Milton o criador da palavra “pandemônio” (todos os demônios). Embora ela seja atualmente interpretada como um lugar barulhento e confuso, ela foi inicialmente usada para descrever uma reunião de demônios e seus seguidores no Parlamento Infernal.

 

Diabo é uma palavra de origem grega que significa “acusador” ou “caluniador”. Já a palavra Satã – ou Shaitan, no islamismo – veio da antiga língua hebraica e significa praticamente a mesma coisa que diabo em grego: “acusador”, “caluniador”. Lúcifer também tem origem no hebraico, e quer dizer “o que leva a luz”.

 

A primeira representação do diabo vem do século VI antes de Cristo, na antiga Pérsia. O pioneirismo pertence à religião fundada por Zaratustra ou Zoroastro (que, por sinal, é chamada de zoroastrismo), para quem a existência do mal devia-se a um demônio chamado Angra Maniyu (Ahriman, em persa). Da Pérsia, o zoroastrismo teria se espalhado pelo Oriente Médio e influenciado diversas mitologias, inclusive a hebraica.

 

Segundo alguns especialistas em exegese, Satã desempenhava o papel de promotor diante de Deus. “Ele não encarna o mal, e está autorizado a se apresentar diante do Senhor”, diz a edição especial da revista História Viva sobre religiões. “No Livro de Jó, os filhos de Deus comparecem à audiência do Senhor tendo o satã entre eles. Satã relata ao Senhor que percorre a Terra para observar os homens, anotar os maus comportamentos e prestar a Ele conta disso”. E prossegue que o Satã “promotor” começou a ter a cara do diabo como conhecemos a partir do texto das Crônicas, quando convenceu Davi a fazer um recenseamento. “Os autores do Novo Testamento evocam Satã com frequência por sua tradução grega “diablos” e somente a partir da Idade Média ele passou a ter maior destaque na religião cristã.

 

Fontes: Wikipédia, BBC Brasil.

 

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