Considerada uma das mais devastadoras epidemias da história, a peste negra dizimou 1/3 da população europeia em cerca de 5 anos. Mas onde ela surgiu? Quais são os seus sintomas? E como a população da Europa encarou tamanha tragédia? Descubra algumas curiosidades e esclarecedores sobre a peste negra.

 

Por peste negra entende-se a epidemia de peste bubônica que devastou o continente europeu no século XIV, durante a Idade Média. A peste bubônica é uma doença provocada pela bactéria Yersinia pestis e tem como sintomas manchas na pele, febre, surgimento de ínguas, perda de coordenação motora, confusão mental e, em muitos casos, aumento do volume do fígado e do baço.

 

A epidemia de peste negra do século XIV surgiu na China. O curioso é que o rato transmissor da doença pode ter vindo da Índia.

 

Ainda há controvérsia sobre como a peste chegou a Europa, mas muitos estudiosos acreditam que ela tenha surgido após um ataque de mongóis à península da Crimeia, mais precisamente ao porto de Kaffa. De lá, foi levada para a Europa Ocidental por mercadores genoveses e venezianos.

 

A peste negra recebeu esse nome provavelmente por causa das manchas pretas surgidas na pele dos infectados.

 

O principal agente causador da doença é a pulga que, ao picar a pessoa ou animal, transmite a bactéria para ela. Acredita-se que, na Europa do século XIV, a bactéria era transmitida dos ratos para as pulgas e, destas, para os seres humanos.

 

O bacilo transmissor da peste é muito comum em roedores selvagens como ratazanas, esquilos e até marmotas.

 

Existem mais de 600 espécies de ratos. Grande parte causa prejuízos à saúde humana por transmitir doenças como toxoplasmose, hantavirose, leptospirose, tifo murino e peste bubônica.

 

Os sintomas da peste ocorrem poucos dias (pouquíssimos, na verdade) após a exposição à bactéria. Eles normalmente surgem de dois a cinco dias, mas há casos em que demoram 12 dias. A maior parte das mortes ocorre entre o terceiro e quinto dia após o surgimento dos sintomas.

 

A peste é uma velha conhecida da humanidade. Há relatos sobre epidemias no antigo Egito, na Grécia, em Roma e no Império Bizantino. Há, inclusive, referências sobre ela na Bíblia.

 

A peste negra foi tão devastadora que 1/3 da população europeia do século XIV foi simplesmente dizimada no curto período de quatro anos, entre 1347 e 1351.

 

Dos 140 monges de um convento em Montpellier, na França, apenas sete sobreviveram. Aliás, o medo do contágio era tamanho que o papa acabou suspendendo a extrema unção aos mortos.

 

Ninguém suspeitou que a doença tivesse relação com a morte de milhares de ratos. Acreditava-se que ela era provocada pelo “ar ruim”, contra o qual receitava-se aspersão de água de rosas e queima de ervas.

 

Para variar, a epidemia acabou provocando xenofobia e aumentando o preconceito religioso. As cidades eram fechadas para os forasteiros e os judeus e muçulmanos acusados de propagarem a doença. Dezenas de comunidades judias foram atacadas e milhares de judeus afogados ou queimados.

 

Surgiram diversos movimentos religiosos, uma delas foi a Irmandade dos Flagelantes. Para aplacar a suposta ira de Deus, eles se flagelavam nas costas com tiras de relho com pontas de ferro.

 

O preconceito com a peste era tão grande que muitos doentes eram abandonados nas floresta para lá morrerem. Os mais pobres eram enterrados em valas comuns. Corpos eram abandonados nas ruas. O cheiro da morte estava em todo lugar.

 

Um surto de peste em 1665 em Londres matou algo em torno de 70 mil pessoas. A epidemia foi relatada pelo escritor Daniel Defoe no livro Um Diário do Ano da Peste. Na época em que ela ocorreu, Defoe (que ficou conhecido como o criador de Robinson Crusoé) era um menino de quatro anos.

 

Um das últimas grandes epidemias de peste ocorreu na Índia e em partes da Ásia no final do século XIX e início do XX, matando cerca de 11 milhões de pessoas.

 

Uma última informação: o exército do Japão utilizou o bacilo da peste como arma biológica na Guerra da Manchúria.

 

Uma pesquisa divulgada no início de 2018 mostrou que muitas informações que você leu acima podem estar erradas (acredite se quiser, mas é isso mesmo). Os verdadeiros culpados não seriam os ratos, mas os piolhos humanos. Bastava que uma pessoas estivesse infectada para transmitir a doença para outra por meio do contato ou através desses pequenos seres que gostam de cabelos.

 

Ainda existem pequenos focos de peste na África, Ásia e América Latina. Temos que lembrar também que houve 3.250 casos da doença entre 2010 e 2015, com quase 600 mortos.

 

A peste é uma doença tratável se for descoberta a tempo.

 

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