A gripe espanhola foi uma pandemia de gripe ocorrida em 1 918, causada por um surto do vírus influenza A do subtipo H1N1 – ou seja, por um subtipo do vírus da gripe.

 

As estimativas sobre o número de mortes em todo o planeta variam entre 20 e 40 milhões. Algumas, no entanto, levam a crer que esse número tenha chegado a 100 milhões. No total, houve 500 milhões de indivíduos contaminados. Uma observação: a recém-findada Primeira Guerra Mundial matou em torno de 9 milhões de pessoas.

 

A gripe espanhola não recebeu esse nome por ter surgido na Espanha. Ao contrário, suspeita-se que tenha origem no leste da Ásia ou outro local da Europa (há até quem diga que tenha aparecido no estado norte-americano do Kansas).

 

A gripe espanhola atacou em duas ondas diferentes durante o ano de 1 918. Na primeira, surgida em fevereiro, ela era mais branda. Causava mal-estar e dores, mas o paciente se recuperava em poucos dias. A segunda, surgida em agosto, era mais severa, matando rapidamente a pessoa infectada. Detalhe: a primeira atingiu sobretudo os Estados Unidos e a Europa; já a segunda, devastou o mundo inteiro.

 

Estudos recentes indicam que a gripe espanhola não foi resultado de nenhum supervírus, embora ele fosse mais mortífero que outras cepas. A grande quantidade de mortes pode ter ocorrido em virtude das aglomerações nos acampamentos militares (lembrando que as condições sanitárias também não eram das melhores) e do adensamento urbano.

 

Um dos mitos mais recorrentes sobre a pandemia é o de que ela matou a maior parte dos infectados. Isso não é verdade. Alguns estudiosos, inclusive, acreditam que muitas pessoas morreram em virtude das altas doses de ácido acetilsalicílico/Aspirina dada aos pacientes, provocando hemorragias. Elas chegavam a receber 30 gramas do medicamento, quando o mais recomendado hoje seriam 4 gramas. Outra hipótese interessante é a de que muitas vítimas – inclusive homens jovens, vale aqui lembrar – morreram por causa da reação excessiva do sistema imunológico.

 

Ao contrário do que muitos pensam, é pouco provável que a gripe tenha ajudado a decidir a Primeira Guerra Mundial, uma vez que havia doentes em todas as linhas de combate. Mas é quase certo que as condições das trincheiras e acampamentos tenham contribuído para tamanho número de vítimas. Uma observação curiosa: os soldados que estavam há mais tempo nas Forças Armadas morriam menos do que os recrutas.

 

No Brasil, a gripe chegou em setembro de 1 918, provavelmente através de um navio inglês vindo de Lisboa. Ele desembarcou doentes em Recife, Salvador e Rio de Janeiro. Por coincidência, marinheiros que prestaram serviço militar em Dakar, na África, desembarcaram doentes em Recife na mesma época.

 

O alastramento da doença provocou pânicos nas grandes cidades brasileiras. As pessoas passaram a evitar aglomerações. Estádios, praças e até ruas ficaram vazias. Em São Paulo, quem tinha condições deixou a cidade, refugiando-se no interior, onde o surto parecia menor.

 

Existe até hoje no cemitério do Araçá, em São Paulo, uma área onde foram sepultadas apenas vítimas da gripe espanhola. Com medo do contágio, os parentes dos mortos evitavam visitar os túmulos. Grande parte sequer comparecia aos enterros.

 

Segundo o escritor Pedro Nava, a situação chegou a tal ponto no Rio de Janeiro que não havia “quem fabricasse caixões, quem abrisse as covas, quem enterrasse os mortos”. Aliás, a então capital federal foi a cidade mais atingida, com mais de 14 mil mortes (para efeito de comparação, São Paulo teve registrou apenas 2 mil óbitos).

 

Uma das vítimas brasileiras mais famosas da gripe espanhola foi o recém-eleito presidente Rodrigues Alves, em 1 919.

 

Na Rússia, a gripe espanhola era chamada de febre siberiana. Na Sibéria, no entanto, ela era conhecida como febre chinesa.

 

Os genes do vírus da gripe espanhola só foram sequenciados em 2 005. Isso só foi possível graças a uma vítima sepultada no Alasca, Estados Unidos. As condições bem preservadas do corpo graças ao permafrost, permitiu que os cientistas conseguissem amostras do vírus.

 

Ninguém sabe exatamente o porquê, mas a maior parte dos vírus de gripe surge na Ásia. Antes de chegar ao Brasil, eles normalmente circulam pela Europa e América do Norte.

 

Os vírus de gripe são mais antigos que a humanidade. Eles passaram a arranjar novos hospedeiros e adquirir novas mutações com a criação de animais e surgimento dos primeiros aglomerados humanos.

 

Fontes: Wikipédia, History Channel, Fiocruz, El País.

 

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